O futebol está de luto. A morte do capitão de 70, Carlos Alberto Torres, foi sentida em todos os cantos onde alguém conhece a sua história com a camisa da Seleção Brasileira ou dos clubes por onde atuou. Nos encontramos uma única vez, por ocasião da vinda do Náutico a Teresina, em 1986, para jogar contra o Piauí, pelo Campeonato Brasileiro - Série A.
Antes do jogo, após entrevista-lo, pedi-lhe uma camisa do Náutico para meu acervo. Ele prometeu para depois do jogo, sugerindo que o procurasse nos vestiários. No Albertão, o Piauí venceu por 1 a 0, gol de Roberto Galotti, resultado que não estava nos planos do time pernambucano. Nos vestiários, quando procurei o treinador, Carlos Alberto me falou:
- O time perdeu, tá tudo mundo chateado aqui. Me procure no hotel, quando retornamos daqui a pouco.
Saí do estádio e fui direto para o Luxor Hotel, onde a delegação do Náutico estava hospedada. Esperei cerca de 20 a 30 minutos. Quando o time pernambucano retornou, Carlos Alberto me viu logo que entrou. E foi direto a meu encontro:
- Garoto, não vai dar para sair a camisa. O clima ficou ruim com a derrota. Você aceita uma foto minha?
Respondi, afirmativamente, que era um grande prazer. Carlos Alberto, então, foi ao seu apartamento e retornou com uma foto da época em que jogou no New York Cosmos, dos Estados Unidos, mesmo time de Pelé à época.
Antes de entregar-me, pedi-lhe que autografasse. Ele perguntou para quem, e sugeri para o Museu do esporte do Piauí. Agradeci e nunca mais o reencontrei. Ficou a impressão de um grande cidadão, educado, solícito, sem frescuras e vaidades, apesar do monstro sagrado que foi com a bola nos pés.
Descanse em paz, capitão!
Severino Filho (Buim)
Editor

